Redes blockchain suportadas: BNB Chain, Ethereum, Solana e outras
Uma das principais características de carteiras como a Trust Wallet é o suporte a múltiplas redes (multi-chain). Para quem está começando, isso pode soar confuso: afinal, o que é exatamente uma "rede" e por que existem tantas? Este artigo apresenta um panorama didático das blockchains mais comuns no ecossistema atual.
O que é uma "rede" no contexto cripto?
Cada blockchain é, essencialmente, um livro-razão público mantido por milhares de computadores espalhados pelo mundo. Bitcoin, Ethereum, Solana e BNB Chain são livros-razão diferentes, com regras próprias, moedas próprias e taxas próprias. Mover um ativo de uma rede para outra exige operações específicas (chamadas de "bridges").
Bitcoin (BTC)
A blockchain mais antiga e mais conhecida. Foi criada em 2009 com foco em ser uma reserva de valor digital. Suas transações tendem a ser mais lentas e com taxas mais altas que redes modernas, mas a segurança é considerada o padrão-ouro do setor. Carteiras multi-chain costumam suportar BTC nativo.
Ethereum (ETH)
Lançada em 2015, é a rede pioneira em smart contracts — programas que rodam de forma descentralizada na blockchain. É o lar da maioria dos tokens e aplicações descentralizadas (DeFi, NFTs, jogos). Suas taxas (gas fees) podem ficar altas em momentos de congestionamento.
Tokens ERC-20
Tokens criados sobre a Ethereum seguem o padrão ERC-20. USDT, USDC e milhares de outros ativos rodam nessa rede como tokens ERC-20.
BNB Smart Chain (BSC)
Operada pela infraestrutura da Binance, é uma rede paralela compatível com a Ethereum (EVM-compatible) que oferece taxas significativamente mais baixas. Os tokens nativos dessa rede seguem o padrão BEP-20. É uma das redes mais utilizadas em volume diário.
Solana (SOL)
Conhecida pela alta velocidade e taxas extremamente baixas, a Solana usa um mecanismo de consenso diferente das EVM tradicionais. Hospeda muitos memecoins, NFTs e aplicações de jogos. Suporta tokens em padrões próprios (SPL).
Polygon, Arbitrum, Optimism, Base
Essas são as chamadas redes de camada 2 — soluções construídas sobre a Ethereum para aliviar congestionamento e reduzir taxas. Funcionam como atalhos: fazem milhares de transações off-chain e só registram um resumo na rede principal.
Avalanche, Cardano, Polkadot, TRON, Tezos
Há dezenas de outras blockchains relevantes, cada uma com particularidades técnicas e ecossistemas próprios. Carteiras multi-chain se diferenciam justamente pela quantidade de redes suportadas.
Atenção: rede errada = fundos perdidos
Enviar tokens em uma rede para um endereço de outra rede é uma das principais causas de perda de fundos no cripto. Sempre confira duas vezes a rede antes de qualquer transferência. Se estiver em dúvida, faça primeiro um teste com valor pequeno.
O conceito de "mesmo endereço, redes diferentes"
Em redes EVM-compatíveis (Ethereum, BSC, Polygon, Avalanche, Arbitrum etc.), o mesmo endereço público costuma funcionar em todas. Já em redes não-EVM (Bitcoin, Solana, Cardano), o endereço é totalmente diferente. Mandar BTC para um endereço Ethereum, por exemplo, resulta em perda definitiva — apesar do "endereço" parecer válido.
Como decidir qual rede usar
A escolha geralmente depende de:
- Custo: redes como BSC, Solana e camadas 2 da Ethereum são bem mais baratas;
- Velocidade: Solana confirma em segundos; Bitcoin pode levar minutos;
- Compatibilidade do ativo: nem todo token existe em todas as redes;
- Aplicações disponíveis: DeFi, NFT e jogos costumam estar concentrados em poucas redes específicas.
Conclusão
Compreender a noção de redes é fundamental antes de fazer qualquer movimentação real. Para iniciantes, é prudente começar com transações pequenas e em apenas uma rede até dominar a operação. Conheça também o funcionamento das taxas de rede (gas fees) para evitar surpresas.